q
SenadorCapi-Senador
login
Itens filtrados por data: Julho 2015 - João Capiberibe

A operação, deflagrada em 2012 pelo Ministério Público do Amapá e pela Polícia Civil, revelou uma série de esquemas de corrupção dentro do Poder Legislativo amapaense

 

O senador João Capiberibe (PSB/AP) encaminhou ofício ao presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ricardo Lewandowski, ao corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Carmo Antônio, ao procurador-geral de Justiça do Amapá, Roberto da Silva Álvares, e à presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, Suely Pini, pedindo celeridade ao processo nº 0001193-07.2014.8.03.0000, que se encontra no gabinete do desembargador Gilberto Pinheiro, do Tribunal de Justiça do Amapá, desde 27 de outubro de 2014.

A ação é referente ao uso de verba de gabinete destinada a pagamento de assessores para camuflar esquema criminoso de corrupção, no período de janeiro de 2012 a julho de 2014, quando houve desvio do montante de R$ 355.177,54. Diante desse cenário, o senador explica que os crimes denunciados trazem sérios e inestimáveis prejuízos à população do Amapá, além de poderem prescrever pelo decurso do tempo, sendo necessário que retomem ao andamento normal.

O processo faz parte da “Operação Eclésia”, que foi desencadeada pelo Ministério Público Estadual, onde são investigados diversas autoridades, servidores públicos e empresários pelo cometimento de inúmeros crimes.

Acusação

A ação afirma que a deputada estadual Roseli Matos fazia acordo verbal com pessoas nomeadas como assessores e parte dos salários, pagos pela Assembleia Legislativa do Amapá através da verba de gabinete, ficava em poder da parlamentar. O percentual do salário era recolhido pelo motorista Délcio Carvalho. Consta no processo que nas anotações feitas na “Folha Analítica de Assessoria”, os assessores eram intitulados de “colaboradores”. A Polícia-Técnico Científica do Amapá concluiu que as anotações fora feitas pelo punho da própria deputada.

A técnica em enfermagem Rosilda Carvalho, esposa de Délcio Carvalho, entra na ação porque aderiu às condutas delitivas acobertando o ato criminoso, sendo uma das colaboradoras e pagava contas pessoais de Roseli Matos mediante débito da própria conta corrente. Além de Rosilda Carvalho, Magna Sebastião da Silva, Boaneres Pereira de Lima e Gaspar Antônio Pereira são assessores citados como “colaboradores” e repassavam a maior parte da remuneração para a deputada.

Operação Eclésia

A “Operação Eclésia” foi deflagrada na madrugada de 22/05/2012 pelo Ministério Público do Amapá e pela Polícia Civil e revelou uma série de esquemas de corrupção dentro do Poder Legislativo amapaense. O material apreendido nas dependências da Assembleia Legislativa e nas residências dos envolvidos foi analisado e investigado criteriosamente pelo MP-AP, dando início às ações de improbidade administrativa e ações criminais que apontam um desvio de R$ 44,9 milhões de recursos públicos.

Como resultado, o Ministério Público ajuizou 49 ações, sendo 35 por improbidade administrativa, que apontam desvio R$ 36,2 milhões, e 14 ações penais no montante apurado de R$ 29,5 milhões, ressaltando que algumas delas propostas em âmbito cível e criminal.

As ações de improbidade administrativa visam ressarcir ao Erário através da indisponibilidade dos bens dos acusados. As decisões judiciais cautelares permitem, ainda, o afastamento dos envolvidos de suas funções administrativas, além da possibilidade de punição dos responsáveis pela prática de crimes como: fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e outros.

A “Operação Eclésia” envolveu cerca de 130 policiais civis, 22 delegados de Polícia e 25 viaturas. Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na capital e no interior, e recolhidas notas fiscais, recibos, contratos administrativos, processos não judiciais, agendas, contracheques, computadores, desktop, notebooks, pen drives, HDs, cadernos de anotações, talões de cheques, folhas de pagamento, relações de nomes, procurações, títulos de crédito, promissórias, contratos de compra e venda, escrituras públicas e outros documentos.

Por Redação MZ on

mzportal.com.br/?p=9665

Publicado em Notícias

A expectativa do senador João Capiberibe (PSB/AP) é de que até a primeira quinzena de setembro deste ano seja liberada uma emenda parlamentar, de sua autoria, no valor R$ 5.117.410,00, destinada ao Fundo Estadual de Saúde para aquisição de equipamentos hospitalares ao Hospital de Clínicas Alberto Lima.

 

A informação repassada ao gabinete do senador – que na última segunda-feira, 10, se reuniu com técnicos da Secretaria de Estado da Saúde – é de que a emenda encontra-se devidamente cadastrada no Fundo Estadual de Saúde com parecer técnico favorável desde o dia 10 de novembro de 2014, aguardando apenas a liberação.

“Agora vamos trabalhar para acelerar esse processo burocrático de modo que o Estado possa fazer a licitação e comprar esses equipamentos que serão destinados ao setor de alta complexidade, uma área extremamente delicada que agora receberá mais um reforço para ajudar a melhor a saúde da população que busca atendimento no hospital”, comentou Capiberibe.

Com a liberação, o Estado fica autorizado a fazer a licitação e a esperança é de que todo esse processo se conclua até o final do ano. “Vamos acompanhar passo a passo todo o processo cobrando celeridade. Afinal, diante dos últimos acontecimentos, é preciso dar atenção especial à saúde do povo do Amapá”, concluiu o senador.

Por Redação MZ

Publicado em Notícias

Em discurso proferido durante a sessão solene do Senado em memória da morte de Eduardo Campos, o líder do PSB, senador João Capiberibe, lembrou que as Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas foram criadas na passagem de Eduardo Campos pelo cargo de ministro de Ciência e Tecnologia e sugeriu homenageá-lo dando o seu nome as Olimpíadas.

Publicado em Notícias

O Senado realiza hoje, às 9h, sessão especial para reverenciar a memória do ex-governador de Pernambuco e ex-presidente do PSB Eduardo Campos, que morreu há um ano. Primeiro signatário do requerimento para a solenidade, Roberto Rocha (PSB-MA) afirmou que a sessão homenageará “homens e mulheres que continuam lutando por um Brasil melhor e que levarão adiante o sonho de justiça social e o respeito às instituições democráticas que marcaram a trajetória de Eduardo Campos”. O senador lembrou que Eduardo Campos morreu precocemente em acidente aéreo em 13 de agosto de 2014. Campos era candidato a presidente da República e havia sido eleito duas vezes governador de Pernambuco. Foi também ministro da Ci- ência e Tecnologia, deputado federal e deputado estadual. — Uma liderança política nacional e um gestor de competência reconhecida, tanto no período em que esteve no Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2004, como na condição de governador — ressaltou Rocha. O Senador João Capiberibe, líder do PSB no Senado, fala sobre o legado de Eduardo Campos:

Publicado em Notícias

A Associação Nacional de Entidades Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares (Anermb) agradeceu ao gabinete do senador Capiberibe pela primeira batalha vencida hoje, que foi a aprovação da PEC 24/2012 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. “Desde 2012 recebemos apoio em nossos movimentos com a PEC 24. Agradecemos pelo esforço e carinho com a Anermb, sem esse apoio não conseguiríamos essa vitória que foi a aprovação na CCJ e temos certeza que no plenário da Casa ela também passará”.

Foto: Reinaldo Ferrigno
Publicado em Notícias
Quarta, 12 Agosto 2015 16:45

Aprovação da PEC 24 na CCJ do Senado

Assista aqui trechos da votação da PEC 24/2012 nesta quarta-feira (12) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. A defesa do autor do projeto, senador Capiberibe, do relator, senador Aécio Neves, e manifestações dos demais senadores presentes na votação. O projeto que cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública segue agora para o plenário da Casa.

Publicado em Notícias

Projeto cria Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública

 A PEC 24/2012, de autoria do senador João Capiberibe, foi aprovada na manhã desta quarta-feira (12) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal e agora segue para o plenário da Casa. O projeto cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública, objetivando a melhoria da Segurança Pública nos Estados da Federação.

“Reconheço o trabalho do relator do projeto, senador Aécio Neves (PSDB/MG), que deu uma enorme contribuição para melhorar a proposta  que discutimos hoje na CCJ. Tivemos a preocupação de peregrinar por vários Estados como Amapá, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul em audiência públicas para debater a proposta. Depois de aprovada a PEC, vamos ampliar as discussões para posterior regulamentação. Nesse momento, existe a preocupação nacional com a questão da segurança, como existe nas ares de educação e saúde”, destacou o senador Capiberibe.

Para o cidadão, o fundo não representará aumento na carga tributária. De acordo com o projeto, o fundo será formado a partir de parcelas do IPI (Imposto sobre Produtos Industriais) e do ICMS (Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços) recolhidos da venda de armas e material bélico, porcentagem dos impostos pagos por empresas do ramo de serviços de segurança, e parte do lucro líquido de bancos e instituições financeiras.

A PEC 24 representará para o país o que o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb)  representa para a educação e o Sistema Único de Saúde (SUS) para a saúde e está pronta para entrar na pauta da votação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. No começo de abril deste ano, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), relator do projeto, confirmou o relatório feito em agosto de 2013.

Relatoria – O senador Aécio Neves justificou a importância da PEC 24, afirmando que o projeto já vem sendo discutido no Senado e pelo país com organizações ligadas à segurança pública. “Com essa PEC, teremos uma participação mais efetiva contrária ao aumento da criminalidade e da violência. Essa proposta vai suprir uma omissão do Governo Federal”.

O senador Ricardo Ferraço (PMDB/ES) sugeriu, que após a aprovação da PEC na CCJ, tenha um calendário especial para que ela seja votada no Plenário, resultando na prática maior rapidez no processo regulamentário.

foto: Reinaldo Ferrigno
Publicado em Notícias

 O senador João Capiberibe encaminhou ofício ao ministro da Saúde, Arthur Chioro, pedindo providências urgentes diante da situação calamitosa em que se encontra a saúde pública do Estado do Amapá. O cenário necessita de atenção do Ministério da Saúde, uma vez que a secretaria de Saúde do Amapá e o governo estadual nada fazem para modificar o atual estado de emergência.

O Sindicato dos Médicos do Estado do Amapá – Sindmed/AP encaminhou denúncia e pedido de providências à secretaria de Estado do Amapá e ao governo estadual, descrevendo o panorama alarmante em que se encontra a saúde pública local. No documento, eles relataram que faltam medicamentos básicos como dobutamina, trombolítico e antibióticos em geral, além de luvas, máscaras, gaze, antissépticos, equipamentos para procedimentos cirúrgicos, exames de imagem, respiradores, leitos em UTI, salas de estabilização, enfermarias, médicos especializados e corpo de enfermagem. O Sindicato também ressaltou que o Hospital de Emergências de Macapá e o Hospital da Criança e Adolescente (HCA), estavam sem água há vários dias, levando os funcionários a lavarem suas mãos com soro fisiológico 0,9%.

Os problemas não param por aí. O único Pronto Atendimento Infantil (PAI)  de Macapá registrou o óbito de seis crianças em apenas uma semana, situação inadmissível que preocupa os médicos e enfermeiros que atendem no PAI.

Recentemente foi amplamente veiculada na mídia o caso de Eloany Vitória Coutinho, criança de um mês e três dias, que falecida teve seu corpo incinerado por engano junto ao lixo hospitalar na maternidade Mãe Luzia, não permitindo aos pais enterrar a filha.

Diante do caos na saúde pública do Amapá, é preciso a intervenção do Ministério da Saúde com a intenção de modificar esse panorama. “Em atenção à gravidade e a relevância do assunto, e com o respaldo na competência a mim atribuída pela Constituição Federal de fiscalizar a Administração Pública, peço ao Ministério providências para solucionar os problemas denunciados pelo Sindicato dos Médicos do Amapá”, afirmou o senador Capiberibe.

Imagem da internet.

Publicado em Notícias
Segunda, 10 Agosto 2015 10:20

Estado: espelho da sociedade

Senador discorre sobre as mazelas de um Estado “que cultua a violência”. “Na ditadura, Rubens Paiva teve seu dia trágico e até hoje de seu corpo não se tem notícias. Na democracia, Amarildo Dias de Sousa teve o mesmo destino e de seu corpo não se tem notícias”, recorda

João Capiberibe *

Um Estado que cultua a violência incapacita-se a construir uma sociedade pacífica e democrática. Não vou teorizar, direi o que penso a partir de uma diversificada experiência como preso político, exilado, prefeito, governador e senador da República. Junte-se a isso minha absoluta independência de interesses corporativos ou privados.

Os Estados Nacionais, ao contrário do que alguns pregam, funcionam como faróis das sociedades. Pelos meios de que dispõem, tornam-se vanguarda em vários campos das atividades humanas. Para corroborar a tese, cito o Estado Brasileiro, que sustenta uma rede de consulados e embaixadas ao redor do mundo a serviço dos seus interesses.

Pergunto, quantos empreendimentos privados custeariam algo semelhante? Poucos. Olhemos a desenvoltura do Itamaraty, por onde andei nos anos de exílio. Sempre por perto, nem sempre amigável, às vezes até hostil, mas próximo, reunindo informações de ponta sobre política, economia, ciência e tecnologia de interesse do governo e da sociedade brasileira.

Mas, toda vez que o Estado lança mão da violência como instrumento de persuasão política espalha o terror na sociedade. Como um rastilho de pólvora fomenta a disputa de quem mata mais.

Para estancar essa escalada é preciso ampliar o conceito de segurança pública, preparando seus agentes para o exercício de funções dentro de uma nova filosofia, tornando-os avalista do pleno exercício da cidadania, dos direitos humanos e da segurança de todos.

Parece utopia. Sim, parece. Afinal, o Brasil ostenta uma taxa de 32,4 homicídios por cada 100 mil habitantes. Índice quase cinco vezes a média mundial de 6,7 e nove vezes a média do grupo de países ricos de 3,8. Relatório da Organização Mundial de Saúde aponta que houve 64.357 assassinatos no Brasil em 2012. Uma guerra não declarada.

Para pacificar a sociedade é preciso conter a violência do Estado e isso não se faz em um passe de mágica. É preciso arriscar numa direção. O que não pode é continuarmos tergiversando, patéticos e imobilizados, coonestando com a brutalidade diária, pois isso nos torna cúmplices e omissos.

Para entender o presente é preciso ir à origem da cultura de violência, que o país consolidou ao longo de sua história.

Para facilitar a compreensão, limitar-me-ei a dois exemplos suficientes para demonstrar as imbricações entre passado e presente.

Na ditadura, Rubens Paiva teve seu dia trágico e até hoje de seu corpo não se tem notícias.

Na democracia, Amarildo Dias de Sousa teve o mesmo destino e de seu corpo não se tem notícias.

Cenas de ontem e de hoje. Isso me faz pensar que os sequestradores de Amarildo se inspiraram em exemplos do passado.

Dois crimes hediondos contra a humanidade, semelhantes com motivações diferentes, mas de consequências exatamente iguais: tortura e morte, nos dois casos praticados por agentes do Estado.

A pergunta que não quer calar: se punidos fossem os torturadores e assassinos de Rubens Paiva, Amarildo estaria vivo?

A resposta é sim. Amarildo estaria vivo. Pelo menos é o que se deduz, se considerarmos o que foi feito em países vizinhos.

Argentinos, chilenos e uruguaios viveram experiências como a nossa, de ditaduras com milhares de assassinados e desaparecidos, mas se acertaram com seus passados de horrores e puniram exemplarmente assassinos e torturadores.

Hoje, esses três países ostentam indicadores de violência que os aproximam dos países ricos, segundo o Estudo Global sobre Homicídios de 2013, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

A busca de uma cultura de paz impõe a retirada do caminho do primeiro obstáculo, o dispositivo da Lei 6.683/1979, a Lei da Anistia, que é na verdade uma imposição conjuntural que permanece até hoje. Como se fosse cláusula pétrea, protegendo os que na ditadura praticaram crimes contra a Humanidade, instituindo em nome do Estado a cultura da violência, que atravessa o tempo chegando aos nossos dias.

João Capiberibe senador pelo PSB do Amapá.

POR CONGRESSO EM FOCO | 07/08/2015 13:20
Foto:Moreira Mariz/Agência Senado

 

Publicado em Notícias

imagem materia

Mais uma audiência sobre a possibilidade de legalização do aborto até a 12ª semana de gravidez colocou em lados opostos integrantes da plateia e a mesa de debatedores na Comissão de Direitos Humanos (CDH), nesta quinta-feira (6).Os que são contrários denunciam uma suposta manipulação de entidades estrangeiras para induzir na sociedade a necessidade de redução populacional; declaram que o número de mulheres mortas em decorrência de abortos inseguros estariam sendo inflados para mostrar um problema de saúde pública inexistente; e apontam futuros prejuízos previdenciários caso o aborto seja legalizado no país.

Os defensores citam o direito das mulheres de decidirem sobre o próprio corpo e de se posicionarem politicamente; de ver regularizada uma prática corriqueira que segue clandestina há anos; e de serem acolhidas democraticamente pelo sistema de saúde e pelo Estado laico.A audiência foi requerida pelos senadores Paulo Paim (PT-RS), presidente da comissão, e Magno Malta (PP-ES), relator da SUG 15/2014, sugestão apresentada pela população com mais de 20 mil assinaturas e que deseja permitir a interrupção voluntária da gravidez ainda no primeiro trimestre, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O debate foi presidido pelo senador João Capiberibe (PSB-AP) e terá continuação com outros atores sociais nos próximos dias. Houve torcida e claque pró e contra, com faixas e palavras de ordem e exaltação de ânimos. Os deputados Marco Feliciano (PSC-SP), que considerou constrangedor alguém defender o aborto, e Jean Wyllys (PSOL-RJ), que acusou a sociedade masculina de tutelar e legislar sobre o corpo das mulheres, também estiveram presentes.


Manipulação

O padre Paulo Ricardo denunciou instituições, como a Fundação Ford, que estariam, supostamente, manipulando estudiosos brasileiros como forma de impor ao Brasil uma diminuição do ritmo de crescimento populacional. Segundo o padre, documentos da própria Ford dizem, com clareza, que a preocupação com o crescimento populacional fez a entidade investir na liberação do aborto no Hemisfério Norte nas décadas de 1950 e 1960.

Mas agora, de acordo com o religioso, essas instituições concluíram que não se deve investir na questão médica e, sim, na sociológica, para mudar o comportamento dos cidadãos, de forma a empreender uma verdadeira “engenharia social”. Para Paulo Ricardo, os brasileiros estão sendo manipulados por um pequeno grupo globalista. Por isso, acredita o padre, a Ford e a MacArthur financiam estudos de antropologia e sociologia no Brasil.— Basta ler os relatórios das fundações internacionais, não estou citando catecismo, Bíblia, estou citando documentos públicos e notórios, e não me venham com esse nhem-nhem-nhem de Estado laico porque isso é maracutaia — disse.

Para Viviane Petinelli, do Instituto de Políticas Governamentais do Brasil, o aborto e sua legalização não trarão impactos positivos para a sociedade em nenhum aspecto, pois levarão a mais gastos do sistema de saúde, se a prática for financiada pelo SUS. Além disso, as mulheres que hoje abortam, as jovens, serão as maiores prejudicadas, já que haverá redução da taxa de natalidade e consequente diminuição da força de trabalho ativa que sustentará a Previdência Social no futuro, quando chegar a hora de elas usufruírem os benefícios.— O que deve ser trabalhado é a gravidez indesejada, a causa, e não o aborto, a consequência — frisou várias vezes.

Também citando números, a vereadora e ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) apresentam dados do DataSUS para dizer que os números de mortes decorrentes de abortos estão sendo inflados por “malabarismos técnicos com estatísticas”.Segundo afirmou, os últimos dados compilados pelo Ministério da Saúde indicam que, em um ano, morreram de causas definidas 470.835 mil mulheres no país. Destas, 1.610, menos de 0,3%, morreram em decorrência de problemas relacionados à gestação, parto, puerpério e complicações ligadas à gravidez. Quanto a mortes de grávidas que abortaram, foram elencados 135 casos, 0,03% dos óbitos femininos no Brasil.

As mortes por causas cardiovasculares e homicídios são bem mais elevadas, frisou Heloísa Helena.Já o cineasta David Kyle — diretor do filme “Blood Money”, que teve um trecho exibido na audiência — afirmou não existir aborto seguro, que os abortos geram consequências terríveis para as mulheres, como depressão e suicídio, e que o Estado e a sociedade devem proteger quem não pode se defender, os nascituros. Ele disse ainda que a indústria de aborto nos Estados Unidos movimenta cifras milionárias, tanto com a prática do aborto quanto com a venda de órgãos humanos.


Pesquisa

Débora Diniz, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília e pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero da instituição, mencionou dados de pesquisa nacional sobre aborto coordenada por ela. Segundo afirmou, uma em cada cinco mulheres brasileiras realizou pelo menos um aborto até os 40 anos.— Não sabemos quantas mulheres abortam no país, mas entre 18 e 39 anos, 7,4 milhões já abortaram em algum momento da vida — disse.Conforme Débora Diniz, pela legislação penal brasileira, todas essas mulheres poderiam estar no sistema penitenciário, já que o aborto de fetos que não sejam anencéfalos, não tragam risco à vida da mãe e nem sejam fruto de estupro é considerado crime. São todas mulheres comuns, adolescentes ou prostitutas, ou que têm filhos, religião, companheiro.

A lei precisa de alterações, defendeu, pois hoje a prática está envolta na clandestinidade, que faz a situação se tornar caótica. A pesquisa também revelou que 50% das mulheres que tomam remédios e garrafadas para induzir o aborto em casa o finalizam no sistema público de saúde.— Falar de aborto é falar da necessidade de mulheres comuns. Não de grupos de risco — afirmou.Sonia Corrêa, representante da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, apontou a ineficiência do recurso do poder punitivo para impedir as práticas abortivas. Por isso, disse, tem se mostrado “inútil, ineficiente e ineficaz” tanto para conter a violência quanto para impedir os abortos.

Ela defendeu o debate com respeito aos princípios da laicidade e da distinção entre a esfera religiosa e a política acerca do tema, sempre observando as regras democráticas.Tatiana Lionço, psicóloga e integrante do Movimento Estratégico pelo Estado Laico, defendeu o direito ao ativismo político das mulheres e das minorias, que, disse, não podem ser vítimas de desqualificação moral e criminalização por defender a legalização do aborto. Para ela, a sugestão, caso se converta em projeto de lei e seja aprovada, não vai cercear o direito de quem deseja nunca abortar, e precisa, sim, ser discutida ainda que seja pauta de uma minoria.

Ela também apontou a forma “imoral, abusiva e nociva” com que alguns deputados conservadores têm tratado as ativistas feministas, insinuando até mesmo que elas cometem crime de “apologia ao aborto”.— Queremos um marco legal justo, que considere a pluralidade de toda a sociedade — disse.Márcia Tiburi, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, apontou a existência de um “círculo cínico da estrutura social machista” envolvendo a questão do aborto, com a utilização de falácias como o apelo ao amor de mãe, ao valor da vida e à religião. Para ela, existe um acordo de fingimento, em que uns fingem não abortar enquanto outros falam contra o aborto. Mulheres de todas as idades e credos fazem aborto, mas não revelam, destacou. As instituições conservadoras obtêm o lucro moral de se posicionar contra a prática, e o “cinismo machista” continua sustentando a alienação das mulheres sobre o próprio corpo, afirmou.

Fonte: Agência Senado

Publicado em Notícias
Pagina 3 de 4
bannerda tv

PRESTAÇÃO DE CONTAS 2017

00000001

capi sustentavel

livro morte nas aguas

capi youtube
Sua ideia pode virar Projeto de Lei

Newsletter

  1. Twitter
mais-noticias

Endereço

Ala Sen. Afonso Arinos - Gab. 08
CEP: 70.165-900 Brasília/DF
Telefone: (61)3303-9011
Fax: (61)3303-9019
Email:  O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.